Só quem tem sabe o problema que é: você pensa ter a expressão facial mais neutra possivel, quando depois escuta de algum amigo que, antes de te conhecer direito, achava que você era antipático. Entre os falantes de inglês, existe até um nome para isso: a “resting bitch face” (RBF), algo que poderia ser traduzido como “cara involuntária de vadia”. Apesar da expressão se referir a mulheres, o fenômeno também acontece entre homens: entre eles, o rapper Kanye West é seu maior expoente.

Para entender por que algumas pessoas parecem ser antipáticas mesmo sem querer, um grupo de pesquisadores resolveu investigar o assunto. Jason Rogers e Abbe Macbeth, da empresa de inovação Noldus Information Technology, compararam rostos com expressões consideradas “neutras” com a de famosos conehcidos por terem a “RBF”, como a atriz Kristen Stewart, a rainha Elizabeth II e o já mencionado Kanye West.

Para realizar a pesquisa, os cientistas usaram o Noldus’s FaceReader, um software que possui um catálogo com mais de 10 mil faces humanas. O programa é capaz de mapear 500 pontos no rosto e depois determinar uma expressão baseando-se em oito emoções básicas: felicidade, tristeza, raiva, medo, surpresa, nojo, desprezo e “neutralidade”.

O sistema leu 97% dos rostos sem expressão como realmente neutros. Já fotos de West, Elizabeth e Kristen registraram 6% a mais de emoção. A maior variação, como se pode imaginar, pertencia à categoria “desprezo”.

Em entrevista ao “Washington Post“, os pesquisadores explicaram que são diferenças sutis que causam a variação: “Um lado dos lábios está ligeiramente puxado para trás, os olhos ficam um pouco cerrados”, disse Rogers. “Há uma espécie de aperto ao redor dos olhos, e uma certa elevação no canto dos lábios, mas sem chegar a formar um sorriso”, detalhou Macbeth.

Mas ao contrário dos seres humanos, o computador não identificou o fenômeno como mais frequente entre as mulheres. Ao invés disso, o software provou que a “resting bitch face” é igualmente comum entre ambos os sexos. Segundo Macbeth, isso prova que a associação das mulheres com a antipatia tem a ver com normas sociais.

“(Sorrir) é algo que é mais esperado de mulheres do que de homens. Então a “RBF” não é algo que necessariamente acontece mais em mulheres, mas nós costumamos reparar mais quando acontece com elas porque a pressionamos mais a serem felizes e sorridentes”. explicou.

Fonte: O Globo.