É impossível ser feliz sozinho… Já dizia Tom Jobim. Ninguém passa por essa vida sem um amigo, sem alguém para dividir momentos, o peso dos fardos e a leveza dos sorrisos. Você já reparou? Nenhuma história se faz com apenas um personagem. Eu li certa vez sobre uma pesquisa que apontava pessoas solitárias como as mais inteligentes. Que sejam. Eu sei que felicidade é uma virtude para todos, e que só é possível alcançá-la quando nos seguramos em outras mãos. Acredito no conceito de que felicidade grande é alegria compartilhada, e acrescento que a construção e a realização das coisas boas só acontecem em comunhão.

Não existe um ser autossuficiente o bastante para vencer sem precisar de ninguém. Eu disse precisar. Sim. Nós não nos bastamos. Carecemos uns dos outros porque sozinhos os nossos passos não são largos o bastante, nossa força é modesta, nosso impulso não é suficientemente forte. Juntos nós conseguimos levantar a cabeça quando é preciso e sair em disparada quando é necessário.

Basta nos lembrar dos momentos mais difíceis, do desespero e da falta de perspectiva que cegava qualquer possibilidade de saída do labirinto. Nós só chegamos até aqui porque tivemos quem nos alçasse pelo braço e nos carregasse no colo.

Agora sim, discordo daqueles que demandam um outro coração para que existam como seres humanos. Não somos pares, somos indivíduos vivendo em comunidade. É isso. Usar o amor como muleta é a maior covardia do homem. Uma coisa é a dependência de um outro coração que faça pulsar o seu. Outra coisa é o acolhimento de alguém que caminha junto, propulsionando os seus passos.

A vida seria mesmo muito miserável se fosse apenas uma prova de resistência a sós, um teste de esforço em retiro ou coisa parecida. Seria penosa, tediosa, rancorosa. Se não fossem os momentos felizes, de que valeria a pena viver? Além disso, qual é a graça de ser feliz em isolamento, sem ter ninguém para dividir o riso e expandir o gozo?

Se os ermitãos são, de fato, mais inteligentes, eu não sei dizer. Mas decerto que tristes eles são. Parafraseando Vinicius de Moraes: que me perdoem os solitários, mas a alegria é fundamental.